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Uma eficiente comédia de erros à brasileira

Comédia de erro é um subgênero que sempre anda no limite entre o ridículo e o non-sense. Quando bem feito, é sempre um deleite para quem assiste. Para exemplificar, nada melhor que citar os especialistas nesse tipo de humor, os Irmãos Coen. Quase todas as suas obras, mesmo as mais sérias, bebem dessa fonte, mas vou ficar com as três que considero mais escrachadas Queime Depois de Ler, Arizona Nunca Mais e Fargo.
Quando surgiram as primeiras críticas sobre O Roubo da Taça, coproduzida pela Netflix, que enquadravam o filme neste formato fiquei curioso. Mas o tema “futebol”, nunca foi dos meus fortes. A curiosidade falou mais alto e… que filme eficiente. Sem dúvidas uma das grandes comédias do cinema brasileiro.

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Ter tempo é fazer escolhas

Há uns três ou quatro anos um colega disse que seu sogro, que, ao menos na época, era meio que viciado em TV, tinha encontrado uma forma de ter tempo para assistir seus programas. Ele gravava tudo. As novelas, o jornal e o Big Brother. A sacada era pular os comerciais. Confesso que dei um sorriso meio incontido e disse que tinha uma ideia melhor para economizar tempo: não assistir a esses programas.
Dias atrás, assistindo uma apresentação no TED, Laura Vanderkam, que ministra palestras e cursos sobre gerenciamento do tempo usou este mesmo exemplo. E vou usar aqui o argumento dela: até faz sentido agir assim, mas se quer economizar tempo para fazer outra coisa importante, talvez isso não seja a forma mais adequada.

Apesar da minha ironia com o sogro do meu amigo, eu nunca tinha tempo para nada. Embora assistisse pouca TV. Ou numa forma mais enfática. O deboche servia tanto para ele, quanto para mim.

É certo que na época eu não entendia isso até começar a mudar algumas coisas na minha forma de lidar com a vida (se você me acompanha no Medium ou no meu blog pessoal sabe do que estou falando). Há um ano eu não tinha tempo para família, para lazer, para cuidar da saúde, vivia me atrasando em muitos compromissos e alguns trabalhos, que poderiam ter sido feitos num tempo X, levava duas ou três vezes mais tempo.

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Esqueça Pinóquio, a culpa é do Gepeto

“Torna-te aquilo que és”, já dizia Nietzsche. “Seja você mesmo” é o mantra de 10 em cada 10 livros de autoajuda. “Ligue o botão do ‘foda-se’ e faça o que você acredita” está espalhado em milhares de textos na internet ou em citações mais polidas em imagens good vibes.
Se é tão gritante, tão urgente, tão primal, talvez, eu diria… Por que é tão difícil?
Exclusivamente pela sua falta de coragem. Ou porque o que você é te incomoda, mas você não sabe o que quer ser. Fato! Mas como e por que isso acontece?
Aí, não sei muito bem o que estava fazendo, e lembrei do conto italiano do Pinóquio. Do desenho da Disney, de 1940, e da versão futurista Pinóquio 3000.

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(Porto Alegre - RS 21/01/2017) Velório do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki. 
Foto: Beto Barata/PR

Coxinhas e Petralhas só precisavam de uma desculpa

Tava tudo muito lindo. Todos em uníssono colocando #foratemer nas redes sociais ou lamentando a vitória do Trump. Como se isso fosse abalar os brios do Primeiramente (valeu, Adnet!) ou do Cabeleireira de cachorro (valeu, Simpsons!) e eles fossem renunciar aos cargos pelos choramingos dos internautas. Petralhas e Coxinhas unidos.
Parecia comercial da Coca-Cola da década de 70! Já podíamos usar camisetas vermelhas e amarelas sem ninguém nos encher o saco.

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Definitivamente, ela não faz mais parte da minha vida

Logo ela que, desde que me lembro, fez parte da minha vida, nos bons e maus momentos. Quando estava em companhia ou quando ela era a companhia. Mas lembrando aqui que há meses que eu não ligo a televisão para assistir algum programa específico e há mais de dois anos que não assisto – em casa, por conta própria – a nenhum conteúdo da TV aberta, percebi que ela não faz mais parte da minha vida.
E como isso foi bom para mim.

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7 livros que se destacaram no meu Kindle em 2016

Gosto muito de ler. E fico às vezes frustrado por não ler tudo o que queria. Começar a ler livros em formatos digitais começou a diminuir minha frustração, pois os títulos estão sempre à mão. E revendo minha lista dos livros lidos no ano passado, sete me chamaram a atenção. Iria comentá-los brevemente por ordem de leitura. Mas não é que estavam agrupados por dois grandes temas que gosto muito?
PS. Acordei cedo neste sábado para escrever sobre outra coisa, mas quando vi já tinha mudado de assunto e, por coincidência, hoje (07/01) é o Dia do Leitor.

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Os melhores (e piores) filmes que vi em 2016

Foram cerca de 150 filmes vistos no ano passado, além de diversas séries das quais destaco Sherlock, Mr. Robot, Better Call Saul, American Crime History e Black Mirror. Como faço há dez anos, listo os principais filmes que vi pela primeira vez (independente do ano de lançamento), dividido em quatro categorias: melhores, piores, surpresas e decepções. Os melhores e piores são óbvios, mas as surpresas são filmes que me surpreenderam positivamente ou que são filmes independentes que valem a pena ser vistos. Do outro lado, as decepções são aquelas que acreditei no potencial do diretor, elenco ou roteiro, mas o resultado foi muito aquém do previsto.

A seleção está em ordem alfabética, mas menciono que assisti vários filmes indianos e um deles está listado aqui. O cinema brasileiro me decepcionou um pouco e, definitivamente, o excesso de filmes baseados em HQs ou games estão saturando. Como toda lista é autoritária, ficaram de fora dois filmes que gostei e entrariam em 11º e 12º das surpresas: Doutor Estranho e a versão feminina de Caça-Fantasmas.

Melhores

1. A Bruxa (Robert Eggers, Brasil/Canadá/Reino Unido/EUA, 2015)
2. A viagem do capitão Tornado (Ettore Scola, França/Itália, 1990)
3. Beasts of no nation (Cary Joji Fukunaga, EUA, 2015)
4. Caminho da liberdade (Peter Weir, EUA, 2010)
5. Homem Irracional (Woody Allen, EUA, 2015)
6. O Lagosta (Yorgos Lanthimos, Grécia/Reino Unido/Irlanda do Norte, 2015)
7. Os 8 odiados (Quentim Tarantino, EUA, 2015)
8. Spotlight – Segredos Revelados (Tom McCarthy, EUA, 2016)
9. Umrika (Prashant Nair, Índia, 2015)
10. Vício Inerente (Paul Thomas Anderson, EUA, 2015)

A viagem do capitão Tornado é uma obra-prima

Surpresas

1. As Bruxas de Zugarramurdi (Álex de la Iglesia, Espanha, 2013)
2. Bem-vindo a Marly-Gomont (Julien Rambaldi, França, 2016)
3. Homem na parede (Evgeny Ruman, Israel, 2015)
4. Magia ao luar (Woody Allen, EUA, 2014)
5. O fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson, EUA, 2009)
6. O presente (Joel Edgerton, EUA, 2015)
7. Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/ Valerie Faris, EUA, 2006)
8. Procura-se um amigo para o fim do mundo (Lorene Scafaria, EUA, 2012)
9. Uma viagem extraordinária (Jean-Pierre Jeunet, França/Canadá, 2014)
10. Rogue One: Uma História Star Wars (Gareth Edwards, EUA, 2016)

Decepções

1. 007 contra Spectre (Sam Mendes, EUA, 2015)
2. Batman vs Superman – A origem da Justiça (Zack Snyder, EUA, 2016)
3. Capitão América – Guerra Civil (Anthony Russo / Joe Russo, EUA, 2016)
4. Deuses do Egito (Alex Proyas, Austrália/EUA, 2016)
5. Esquadrão Suicida (David Ayer, EUA, 2016)
6. O Regresso (Alejandro G. Iñárritu, EUA, 2016)
7. O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, Brasil, 2013)
8. Sicario – Terra de ninguém (Denis Villeneuve, EUA, 2015)
9. Warcraft – O primeiro encontro entre dois mundos (Duncan Jones, EUA, 2016)
10. X-Men: Apocalipse (Bryan Singer, EUA, 2016)

Piores

1. Ben-Hur (Timur Bekmambetov, EUA, 2016)
2. Caçadores de emoção – Além do limite (Ericson Core, EUA, 2015)
3. Canibais (Eli Roth, EUA, 2014)
4. Carga Explosiva – O Legado (Camille Delamarre, França/China, 2015)
5. Fúria (Paco Cabezas, EUA, 2014)
6. Independence Day – O ressurgimento (Roland Emmerich, EUA, 2016)
7. Love (Gaspar Noé, EUA/França, 2015)
8. O destino de Júpiter (Lana Wachowski / Lilly Wachowski, EUA, 2015)
9. O franco atirador (Pierre Morel, EUA, 2015)
10. Red Tails (Anthony Hemingway, EUA, 2012)
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Quando a mulher te trata como um homem

Aparentemente, tinha tudo para ser mais uma das manjadas histórias de amor, como na música da Blitz, que já aconteceu comigo, com você e com todo mundo. E, de fato, fui protagonista do que vou relatar a seguir, mas que, como tudo que é passado, a gente romanceia mais do que deveria. Para preservar a identidade das pessoas envolvidas, não vou citar nomes nem datas, o máximo que vou dizer é:
Entra trilha sonora de Star Wars: Há muito tempo numa galáxia muito, muito distante…
Eu chegava sozinho em uma festa e logo de cara avistei, não muito perto, uma garota. Uau! Não tão uau assim, na verdade, mas cativou minha atenção. Esbarrei por ela umas duas vezes e já fiquei imaginando como fazer para me aproximar. Até que a vi conversando com dois colegas e fui me intrometer na conversa a fim de ver o que rolava.

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Eu gosto mesmo é de complicar

Olha eu aqui redescobrindo um prazer que marcou minha transição da adolescência para a vida adulta. Mais ou menos entre os 15 e 20 anos eu escrevia contos, poemas, crônicas e divagações sobre a vida. Cheguei até a inscrever um conto num prêmio de artes em 1991, que envolvia diversas categorias de prosa, verso e artes plásticas.
Quando saiu o resultado, ninguém havia ganho na categoria Conto. Semanas depois recebi a análise do meu material, que tinha marcações de correções de português e uma breve análise escrita à mão: “o texto é ágil e envolvente, mas o final é fraco e previsível, desmerecendo tudo que o antecede. ”

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