Arquivo da categoria: Crônicas

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Definitivamente, ela não faz mais parte da minha vida

Logo ela que, desde que me lembro, fez parte da minha vida, nos bons e maus momentos. Quando estava em companhia ou quando ela era a companhia. Mas lembrando aqui que há meses que eu não ligo a televisão para assistir algum programa específico e há mais de dois anos que não assisto – em casa, por conta própria – a nenhum conteúdo da TV aberta, percebi que ela não faz mais parte da minha vida.
E como isso foi bom para mim.

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Quando a mulher te trata como um homem

Aparentemente, tinha tudo para ser mais uma das manjadas histórias de amor, como na música da Blitz, que já aconteceu comigo, com você e com todo mundo. E, de fato, fui protagonista do que vou relatar a seguir, mas que, como tudo que é passado, a gente romanceia mais do que deveria. Para preservar a identidade das pessoas envolvidas, não vou citar nomes nem datas, o máximo que vou dizer é:
Entra trilha sonora de Star Wars: Há muito tempo numa galáxia muito, muito distante…
Eu chegava sozinho em uma festa e logo de cara avistei, não muito perto, uma garota. Uau! Não tão uau assim, na verdade, mas cativou minha atenção. Esbarrei por ela umas duas vezes e já fiquei imaginando como fazer para me aproximar. Até que a vi conversando com dois colegas e fui me intrometer na conversa a fim de ver o que rolava.

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Desapegar não é jogar fora

Não sou muito dado a rituais, aliás tenho pavor de alguns, mas desde que a gente começa a usar aquela expressão para dizer que já tem alguma compreensão de si eu costumo organizar minhas coisas no final do ano. Quando criança começava pelas cartas, bilhetes , cadernos, tinha recordações boas, outras nem sim nem não e lá ia a lembrança pro lixo. Hoje em dia é quase certo que só vai para o lixo ou encaminhado para reciclagem contas em papel, cada vez mais raras por sinal,  e produtos que por acaso quebraram.
Este ano, minha revisitação de coisas que serão lembradas, arquivadas ou dispensadas começou mais cedo. Igual na música que por acaso acabo sempre ouvindo, Tendo a lua, dos Paralamas. “A casa fica bem melhor assim. ” Dito e feito.

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Sobre porcos, diamantes e outras idiossincrasias

Imagine uma pessoa abordada na rua com a seguinte pergunta: – Você come carne de porco? É de se presumir que a resposta seja positiva em grande medida, uma vez que tem boa aceitação no Brasil e é a mais consumida no mundo.

Mas, claro, há exceções para a resposta ser negativa. Se a pessoa não come carne de porco – ou nenhuma outra – por ser vegano ou vegetariano, está tudo bem. Se é por questões religiosas, seja esta pessoa adventista, judeu ou muçulmano, está correto. Até se for um católico que não come carne vermelha durante a quaresma está tudo lindo. Alergia também está no rol das exceções possíveis.

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Android paranoico

É claro que o Radiohead nem sonhava com os smartphones na época da gravação de Paranoid Android nos idos de 1997, mas o título da canção e um dos versos  “I may be paranoid, but not an android” explica um pouco minha relação com o sistema de telefonia smart. Voltando no tempo, demorei para aderir aos smartphones, mas logo que comprei um Motorola Razr D3 em poucos dias descobri que vivia num mundo completamente diferente. Os smartphones realmente faziam a diferença para diversão, mas principalmente para trabalho.

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Vidinha qualquer

Ufa! Acabou o Carnaval. Precisamos de uma trégua. Sabe como é: depois da maratona de fim de ano com presentes de Natal, viagem no Ano Novo, IPVA, matrícula das crianças, material escolar, essa semana de folia rapa a nossa conta bancária e os limites do cartão de crédito. Temos 40 dias para descansar, porque logo, logo a Páscoa está aí e ficamos sabendo que os preços estarão mais altos que os do ano passado. Maldito governo! Continue lendo Vidinha qualquer

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Rio a pé

Estando no Rio de Janeiro por uns dias para estudar e trabalhar, precisei ir em busca de uma assistência técnica para o meu notebook seminovo que no primeiro dia na capital carioca não queria funcionar o wi-fi e no segundo dia não queria nem ligar. Vi no google maps que havia duas ou três oficinas a cerca de um quilômetro de onde estou hospedado. Dá para ir a pé, de boas. Olhei no mapa e vamos lá.

Ou quase.

Me perdi tentando me orientar pelo google maps que pedia para eu virar a sudoeste de tal rua. Desisti e tentei o waze, mas esse app do bem é feito para quem está dirigindo. Se você está a pé, não precisa ir até o final de uma avenida para fazer um retorno e isso pede várias consultas ao aplicativo para a gente não se perder.

Como mau turista, para fazer essas consultas ao smartphone, sempre vou a um local público, uma lanchonete comprar uma água ou uma bala, ou me aproximo de viaturas policiais, locais que, imagino, seja um pouco mais difícil a abordagem por furtadores. E não é que a única vez que não fiz isso, já cansado e querendo voltar para o hotel, um homem se aproxima de mim, pega no meu braço e diz, mais ou menos assim: “Guarda esse celular, você tá vacilando, pois tem quatro pivetes vindo te assaltar”. Obedeci na hora e não era que estavam vindo, mesmo? Com o celular no bolso, olhei para as crianças, que se dissiparam na multidão.

Uma parte bastante cruel e infelizmente comum nas grandes cidades foi ver um menino de rua na porta de uma igreja agonizando de forma meio paranóica, provavelmente sob um efeito pós consumo de crack ou droga parecida. Não deveria ter nem oito anos, o corpo todo tremia, olhava para nada, a boca semiaberta. Mesmo sem poder fazer nada, não tive como não me ater aquela visão durante um minuto ou dois.

Apesar do motivo desgostoso da minha ida ao centro, foi bom para conhecer um pedaço do Rio onde muitas histórias de Machado de Assis foram ambientadas (me lembrei especialmente de “A Carteira”), como o Largo da Carioca, rua do Ouvidor, Uruguaiana e arredores. Algumas obras arquitetônicas merecem ser vistas como o Museu Nacional de Belas Artes, o Theatro Municipal e a Imprensa Oficial do Rio de Janeiro.

Um lado, digamos, pitoresco é o de alguns ambulantes do centro do Rio que andam com banners com reprodução de capas de vários programas e jogos piratas anunciando a venda. Em outro momento vi um vendedor tentando tirar uma caixa com os dvds piratas que estava em cima de uma banca. Em outra, um pedido inusitado: Favor não urinar na banca.

Falando em urinar, tudo bem que quase ninguém mais usa orelhões, mas seria bom ter algum aviso que esses aparelhos contêm fotos de nudez explícita, não recomendável a menores de 18 anos (atenção: este trecho tem uma alta dose de ironia), dada a quantidade imensa de flyers colados no interior das cabines. Do que consegui ver a maioria era propaganda de serviços de acompanhantes travestis. Em muitos casos, as fotos delas apresentavam os “dotes físicos” em estado promocional.

Na assistência técnica, o técnico resolveu o problema do notebook em menos de um minuto. Perguntei o que ele tinha feito para eu fazer caso o problema acontecesse de novo, mas ele se negou a me informar, dizendo que era o ganha-pão dele. Expliquei que eu não era do Rio, então dificilmente eu voltaria a sua assistência, mas não queria ter que perder uma manhã novamente, caso o problema voltasse, mas não adiantou. Era o ganha-pão dele.

E ele não me cobrou nada.