Arquivo da categoria: Resenhas

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As lições de “O quinto poder”

Confesso que demorei um tempo para assistir a versão hollywoodiana sobre Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, pois esperava, como li em muitos lugares que era uma descaracterização do ativista em prol de uma defesa ufanista dos Estados Unidos. Bom, realmente eu não sei se quem fez essas críticas assistiram ao longa ou se o filme que eu assisti, dirigido pelo irregular Bill Condom e com Benedict Cumberbatch e Daniel Brühl é um filme muito parecido com o criticado. Mas o fato é que me surpreendi de forma bastante positiva. Continue lendo As lições de “O quinto poder”

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Cinderelas, Lobos & Um Príncipe Encantado

O documentário dirigido por Joel Zito Araújo em 2009 mostra um Brasil lastimável que (quase) ninguém quer ver. O da visão dos estrangeiros sobre as mulheres (ou travestis) brasileiras, sobretudo as negras (e pobres) que vem ao país em uma quantidade assustadora, em busca do turismo sexual, sem se importar inclusive se são menores de idade impúberes, ou dependentes de drogas.

Joel Zito é hábil em mostrar a miséria humana, a falta de opção na vida e a ilusão de meninas que sonham em encontrar seu príncipe encantado mas que, em sua grande maioria, encontram o descaso, o preconceito, a inexistência do Estado, a violência e os agenciadoras da prostituição no exterior, que são os verdadeiros “lobos” do título. Continue lendo Cinderelas, Lobos & Um Príncipe Encantado

O Riso dos Outros – O humor tem limites?

ImagemO documentário, de 2012, dirigido por Pedro Arantes, foi produzido no auge da comédia stand up, antes, portanto, do fenômeno Porta dos Fundos.

Ainda sim, é atual, e importantíssimo assisti-lo. Uma piada é só uma piada? Numa piada vale tudo? Ou o humor tem que ter limites e/ou estar ancorado claramente ancorado numa opinião, como acontece com as charges?

Se você respondeu a sim às duas primeiras perguntas, deveria rever seus conceitos. Neste documentário, os próprios entrevistados Danilo Gentili – comprovando ser um imbecil completo, e Rafinha Bastos, que usa sua acidez (às vezes inteligente) de forma desregrada e preconceituosa quase sempre. Continue lendo O Riso dos Outros – O humor tem limites?

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As Palavras

Terminei há pouco de ler “As Palavras”, autobiografia de Jean-Paul Sartre, um dos maiores pensadores do século passado e principal expressão do existencialismo ateu. Nesta obra, de 1964, o filósofo francês, ensaísta e romancista, que também passou pelo teatro e tem participação (não creditada) no roteiro do filme “Freud – Além da Alma”, de 1962 – que assisti antes de ter acesso a sua obra -, narra sua infância e sua descoberta pelo gosto pela leitura e pela escrita. Continue lendo As Palavras

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Jornalismo e travestis

A sexualidade anda em alta na mídia. Nem tanto pelos apelos sexuais de programas como Big Brother ou a publicidade que explora o corpo feminino, mas sim pelas recentes discussões sobre homossexualidade bissexualidade. O cantor Nando Reis assumiu há pouco sua bissexualidade do mesmo modo que tempos atrás a cantora Preta Gil. O Supremo Tribunal (STF) deu um passo importante ao reconhecer por unanimidade a união homoafetiva. O Conselho de Direitos Humanos da ONU também aprovou resolução histórica para promover a igualdade dos indivíduos sem distinção da orientação sexual.

Por outro lado, a falta de informação qualificada e argumentos supostamente religiosos impediram a distribuição do kit anti-homofobia que seria distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) para professores. Além disso, parece ter crescido o preconceito, principalmente com as investidas trogloditas como as do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), contra quem não é heterossexual. Continue lendo Jornalismo e travestis

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O Clube do Filme

Estava interessado em ler este livro já tem um tempinho até que ganhei de Natal da minha esposa. Um presente e tanto pois unem várias paixões: literatura, paternidade, cinema. Além disso, o autor (canadense) David Gilmour é homônimo do vocalista do Pink Floyd. E principalmente, claro, porque foi presente do meu amor.

Como literatura, é fato que não é das mais eruditas, mas é uma narrativa corajosa, apresentando-se como um relato de um pai num momento profissional difícil e seu filho de 16 anos que não mais quer estudar. O filho querer abandonar os estudos é tão traumático para os pais como perceber que ele está viciado em alguma coisa ou engravidar (ou ter sido engravidado) em tenra idade. O resultado quase nunca é satisfatório. Continue lendo O Clube do Filme

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Querido e Devotado Dexter

Dexter é o segundo serial killer de ficção mais famoso do mundo. Depois de ter assistido as quatro primeiras temporadas da série homônima da TV e estar acompanhando com entusiasmo a quinta, nada mais natural do que ler os livros que lhe deram a origem. Comecei pelo segundo livro, Querido e Devotado Dexter, que ganhei da minha esposa.

Se Dexter não é tão famoso quanto Hannibal Lecter ele é mais pop e mais complexo. Diferente do elegante e extremamente culto Hannibal, que vira um verdadeiro monstro canibal, o assassino Dexter é mais sutil com suas vítimas e mais cuidadoso em não ser pego. Ostentando uma máscara de bom irmão, namorado, amigo e bom técnico forense, Dexter esconde sua índole assassina que conseguiu ser canalizada, graças a seu pai adotivo, para matar apenas os maus. Continue lendo Querido e Devotado Dexter