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Querido e Devotado Dexter

Dexter é o segundo serial killer de ficção mais famoso do mundo. Depois de ter assistido as quatro primeiras temporadas da série homônima da TV e estar acompanhando com entusiasmo a quinta, nada mais natural do que ler os livros que lhe deram a origem. Comecei pelo segundo livro, Querido e Devotado Dexter, que ganhei da minha esposa.

Se Dexter não é tão famoso quanto Hannibal Lecter ele é mais pop e mais complexo. Diferente do elegante e extremamente culto Hannibal, que vira um verdadeiro monstro canibal, o assassino Dexter é mais sutil com suas vítimas e mais cuidadoso em não ser pego. Ostentando uma máscara de bom irmão, namorado, amigo e bom técnico forense, Dexter esconde sua índole assassina que conseguiu ser canalizada, graças a seu pai adotivo, para matar apenas os maus.

Ainda que isso seja desprezível, isso é parte do carisma que tem perante o público que o assiste ou o lê. No entanto, com certeza são seus comentários sobre a existência humana e convívio social, adicionado a sua frieza mesmo nos momentos mais tensos o grande trunfo dos realizadores da série e do seu autor, Jeff Lindsay. Isso porque não é incomum que algumas das reflexões dele já foram pensadas por nós, seres humanos de carne e osso sem sanha homicida.

Ainda que a essência dos principais personagens seja compatível com a série da TV, o destino de Dexter e de importantes personagens são bem diferentes. Sargento Doakes consegue ter um final ainda mais trágico e a LaGuerta, tão complexa na quinta temporada, já não faz parte deste segundo romance. Mas isso até que torna um prazer a mais ler os livros e acompanhar a série.

Difícil mesmo é dizer o que é melhor: o Dexter da TV ou o dos livros, mas isso não é o que importa. O que importa é que ambos são ótimos, uma raridade em adaptações. As diferenças existentes entre as duas mídias, entre o seu criador Jeff Lindsay e as mentes por trás roteiros televisivos tornam Dexter um personagem ainda mais fascinante para todo mundo. Pelo menos para aqueles que não têm porque ser uma de suas vítimas.

Publicado originalmente no blog Cinema e Mídia

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