Retirado do site Diário do Centro do Mundo - DCM

Sobre pré-concepções

A minha primeira reação quando vi o vídeo deste link era de compartilhar nas redes sociais com severas críticas às falas da então jovem moça, posto que é bem evidente que eu repudio o que a jovem Ângela falou sobre os pobres do Rio de Janeiro daquela época e da sua ideia de privatizar uma área pública para uns abastados.

A versão completa segue aqui

Aí pensei melhor e considerei que:

1) Era uma opinião muito pouco inteligente e cheio de preconceitos, mas ela tinha o direito de fazer até porque foi estimulada a isso na reportagem de Nelson Hoineff, para o programa Documento Especial na extinta TV Manchete. Não era uma “celebridade”, uma formadora de opinião ou ativista falando em nome de algum grupo de pessoas. Era apenas a opinião de uma representante da classe média alta.

2) Não tinha como eu saber, passados tantos anos, se ela tinha essa mesma postura, se estava viva etc. As pessoas tem direito a mudar de opinião, como eu faço, e você faz, naturalmente por estudos, experiências, trabalhos, bateção de cabeça etc.
O conceito de engajamento e liberdade de Sartre, por exemplo, é diferente em seu documentário “Sartre por ele mesmo”, em 1976, na “Crítica da Razão Dialética” em 1960 ou em “O Ser e o Nada”, em 1943. Num plano mais simplório, o Paulinho Moska não escreve mais músicas como na época de Inimigos do Rei. Ou ainda temos três ex-presidentes para ilustrar mudanças de opinião: Figueiredo, FHC e Lula, que disseram mais ou menos assim: esqueçam o que fiz, o que escrevi e que fui de esquerda.

3) As pessoas tem direito a serem melhor avaliadas pelo o que elas falam, fazem e são agora do que condenar uma fala de forma descontextualizada para não cairmos na tentação de uma condenação antecipada e tão (ou mais) preconceituosa de um discurso de uma jovem de classe média.

4) Por fim, pelo print abaixo dá pra saber que ela mudou de ideia em relação a alguns pontos, mas pelo pouco que li, não consigo fazer um juízo de valor a ela nem de forma favorável, nem de forma desfavorável. E nem tenho porque fazer isso com ela. Ou ela comigo.

depoimento-angela-moss

5) Por fim, o que quero dizer com este exemplo é: sejamos mais firmes em nossas opiniões, mais frouxos em nossos preconceitos e mais livres pra construirmos nossa visão de mundo.

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