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Os muitos de Temer

Viralizou esta semana na internet uma frase postada no  twitter do presidente interino (“Muitos votaram porque eu era o candidato a vice”), que dificilmente foi escrita por ele, pessoalmente, mas que, apesar de quaisquer críticas que se tenha ao presidente interino – e, olha, não são poucas – tenho que reconhecer: ele está certo.

Temer está certo porque analisando seus tuítes, percebe-se que ele está, na verdade, falando da convenção do PMDB, que decidiu apoiar a candidatura encabeçada pelo PT. De acordo com ele, o apoio dos convencionais do partido foi de 59% nas últimas eleições, enquanto que na primeira campanha, o apoio à chapa PT-PMDB foi praticamente unânime: 90%.
E é fato que sem o apoio do PMDB e seus 4,5 minutos no horário político, mais sua imensa ramificação pelos estados, é bem possível que o resultado das eleições fosse outro. Por consequência, e apesar dos memes, muitos votaram na Dilma por causa do Temer.
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O que não quer dizer muita coisa, até porque usar “muitos” é quase sempre uma quantificação vazia de quem não tem estatísticas sobre o assunto, está inferindo por meio de raciocínio com uma base lógica, mas sem as argumentações necessárias para deixar claro (o que não foi o caso de Temer), por não fazer a menor ideia do que está falando, por preguiça mental mesmo, ao invés de usar um termo mais específico, ou, como nos casos citados a seguir, por uma pontada de ironia.
Podemos deduzir que muitos votaram na Dilma por causa do Temer, mas muitos votaram na Dilma por causa da Dilma (pois é!), muitos votaram por causa do PT como um todo, ou porque o PMDB, enquanto partido, estava na chapa. Mas esse raciocínio também deve ser estendido, por alusão, também aos demais partidos da coligação: PDT, PC do B, PP, PR, PSD, PROS e PRB. Isso sem falar nas motivações suprapartidárias, que acredito que tenha sido a maioria dos votos.
Há também que se considerar que muitos, como foi o meu caso, votou no segundo turno na Dilma porque o outro candidato era o Aécio, embora eu esteja quase arrependido, como muitos, que acham que deveriam ter seguido seu primeiro impulso e ter anulado o voto.
Nessas semanas que se seguem do governo interino, muitos gritam, às vezes em hashtags, Fora Temer, outros Volta, querida. E muitos, como também é o meu caso, estou mais para o Fora Temer, mas não volta, não, querida!
Enfim, “muitos”, que ora se comporta como um pronome indefinido substantivo, ora como um pronome indefinido adjetivo, é como um vice: quase sempre tem um uso decorativo. Mas em algumas vezes…

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