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A Máscara em que Você Vive

The Mask You Live In (A Máscara em que Você Vive) é um dos melhores documentários disponíveis no Netflix atualmente. Trata de um dos temas mais tabus que existe na sociedade, que é a construção cultural sobre o que é ser homem.

O título do documentário é um trocadilho para masculino em inglês (masculine) e se não é uma abordagem mais ampla (existem diferenças entre homens e mulheres que vão além da construção cultural e social, mas também hormonais, por exemplo) serve para ser pensada e que deveria ser mais discutida.

A máscara que se refere o documentário é sobre o estereótipo de ser homem: não deve chorar, não deve ter dúvidas; tem que ser hétero e precisa reforçar isso a todo instante, tem que ser pegador, estar pronto pra brigas etc. Homens ou mulheres, sabemos todos como são os rótulos da masculinidade. A produção questiona os efeitos nocivos que isso pode acarretar nas crianças e adolescentes que aprendem ou fingem reprimir seus verdadeiros sentimentos em nome do que é socialmente aceito.

Alguns dados sobre os Estados Unidos e que, imagino, tenha uma correlação com outros países como o Brasil: em comparação com as meninas, os meninos têm muito mais chances de serem reprovados, abandonar ou serem expulsos da escola. O suicídio é a terceira causa de morte dos garotos (são pelo menos três por dia). Noventa e três por cento dos menores de 18 anos estão expostos a pornografia na internet e 21% usam pornografia todos os dias. Junte esses dados com a cultura do estupro (de acordo com o documentário 1/3 desses jovens pensariam em cometer estupros se não houvessem chances de serem pegos) a outros fatores que também são reflexos de uma construção “cultural” masculina. Noventa por cento dos assassinatos são cometidos por homens, que também são os que mais morrem, bem como o alcoolismo e a dependência por outras drogas.

Enfim, este documentário é um bom ponto de partida para se refletir os efeitos de uma construção estereotipada sobre ser homem podem causar em milhões de crianças (sejam meninos ou meninas). E se o feminismo tem sido de suma importância (eu simpatizo com algumas correntes, com outras, não) na reconstrução do que é ser mulher, é preciso também se rediscutir o que é ser homem.

PS. Mansome é outro documentário, bem mais leve e não tão bom, que discute o que ser um adulto macho nos dias de hoje na cultura americana, desde o uso da barba aos cuidados cosméticos com a aparência.

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