Sobre porcos, diamantes e outras idiossincrasias

Imagine uma pessoa abordada na rua com a seguinte pergunta: – Você come carne de porco? É de se presumir que a resposta seja positiva em grande medida, uma vez que tem boa aceitação no Brasil e é a mais consumida no mundo.

Mas, claro, há exceções para a resposta ser negativa. Se a pessoa não come carne de porco – ou nenhuma outra – por ser vegano ou vegetariano, está tudo bem. Se é por questões religiosas, seja esta pessoa adventista, judeu ou muçulmano, está correto. Até se for um católico que não come carne vermelha durante a quaresma está tudo lindo. Alergia também está no rol das exceções possíveis.

Mas se a resposta não é dogmática, como no meu caso, muitos me olham tortos. Não que tenha problema me olhar torto. Só não entendo o o porquê. Não como carne de porco porque não gosto, a não ser se for ocasionalmente em embutidos. Simples assim. Aliás, só como carne de boi, frango e embutidos. Fora isso não como carne. Prefiro massas e saladas. E não nenhuma prerrogativa ideológica  ou religiosa nisso. Apenas gosto.

A mesma coisa acontece quando, volta e meia em conversas à toa, colegas vem falar sobre carros caros, motos sei-lá-o-quê, celulares assim, relógios daquele jeito… Invariavelmente falo que são bonitos, embora não tenha muito conhecimento sobre o que estão falando. Mais de um amigo já me perguntou se eu não penso em ter dinheiro suficiente para comprar uma BMW ou uma Ferrari.

Ao que sempre respondo: “Não tenho dinheiro para isso e se um dia eu tivesse há tanta coisa legal que eu poderia fazer que eu me pergunto para que é que eu iria querer ter um carro desses”. Sim, eu iria gastar, moderadamente, viajando, que é uma das coisas que mais gosto de fazer.

E isso também é um problema. Quando vou a um lugar mais famoso sempre recebo muitas dicas: visitar o Cristo Redentor no Rio, a Arena Corinthians, em São Paulo, a praia de  Jericoacoara em Fortaleza e por aí vai… Ah, e me cobram fotos. Frustro todo mundo. Primeiro porque quase sempre viajo a trabalho ou para estudo então o tempo de turista é muito curto. Segundo, porque priorizo locais mais populares, onde tem gente comum. É disso que eu gosto e não de tirar fotos pra por no Facebook para mostrar que sim, sou apenas mais um que esteve em tal lugar.

E não, não gosto de atrações turísticas. Já cheguei perto de ir ao Cristo uma vez com uma amiga. Mas disse a ela que achava que a gente ia gastar muito tempo (fila quilométrica)  e dinheiro  para fazer algo que talvez não fosse tão interessante como dizem. Desistimos e fomos a um museu.

Em Natal, com minha esposa,  ao invés de ficarmos na famosa praia da Ponta Negra, escolhemos outra bem mais barata. Com o dinheiro economizado, fizemos mais passeios, incluindo andar de ônibus pela cidade (outra coisa que gosto de fazer) e até mesmo ir na famosa praia.

O que não é muito a minha praia é quando me perguntam qual é a minha religião. Se minha resposta fosse uma variante A, B ou C do cristianismo, tudo bem. Se fosse judaísmo, islamismo ou de matriz africana iriam me olhar torto, mas não tão torto (às vezes) quando ouvem que não, não tenho religião. Ao que segue o complemento: – Mas você acredita em Deus, não é?

A resposta é sempre difícil, às vezes delicada, às vezes grosseira, variando do simples (se estou no pique de conversa) “e por que isso te importa?”; ao seco “não!” e ao às vezes irônico “Deus é incrível!”. Muitas vezes não gosto da minha resposta, mas gosto menos das duas perguntas.

Enfim, parafraseando Shakespeare, há mais opções entre o céu e a terra do que supõem suas vãs idiossincrasias.

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