Voto nulo é…

Nessas eleições municipais houve um desespero midiático no incentivo aos eleitores exercerem seu direito de cidadão e votarem para prefeitos e vereadores. As notícias sobre o embate nas cidades onde estão ocorrendo o segundo turno tem tido um apelo ainda maior devido ao número, considerado elevado, de brancos, nulos e abstenções.
Não é incomum ouvir e ler nos principais canais de televisão e portais na internet análises de que o eleitorado foi, no primeiro turno, e continuará daqui a poucos dias apelando ao voto útil. Aquele em que o eleitor vota em quem acha que vai ganhar ou contra o candidato que é considerado pior. É uma opção de voto, sem dúvida e eu mesmo, para ser honesto, recorri a isso nas últimas eleições presidenciais. Não vou dizer que me arrependo, mas também não é algo que faria de novo.

Por isso, neste segundo turno para prefeito meu voto será nulo. E, sim, é uma opção. Primeiro porque o voto é obrigatório. Se não fosse, ficaria em casa, desencantado com o futuro prefeito, independente do eleito. Não vou usar os nomes nem citar os partidos porque não é o caso para quem está lendo este post e não sabe em que cidade voto. E em segundo, porque nenhum dos dois me representa. Por que eu iria votar em um candidato cujas propostas não acredito só para não “desperdiçar o meu voto? E me arrepender depois? Não, obrigado!
O conceito de não desperdiçar o voto, que é muito mais comum do que se pensa, é um estímulo a votar no candidato teoricamente mais famoso, de um partido mais forte ou que está na frente em diferentes pesquisas de intenção de voto. Isso é prejudicial a democracia. O eleitor não vota em quem acredita, vota no mais popular, como se fosse a escolha de um vencedor de um reality show qualquer e tem a ilusão de estar exercendo sua cidadania. Isso é ruim para a democracia. É uma opinião minha, mas está ancorada na do ganhador do prêmio Nobel em economia Eric Maskin.
A outra proposta, de votar contra o pior é um pouco menos desinteressante, mas ainda assim, limitada. O votar contra o pior, nestas eleições, significou, em grande medida, votar contra o PT e outros partidos de esquerda, fato que não foi tão ruim para o PSOL, mas foi eficiente contra o partido da estrela vermelha solitária. Era um discurso implícito nos noticiários e comentaristas políticos ou bem explícito, como na visão do filósofo Luiz Pondé, do qual eu ouso discordar.
Para ele, a missão era votar para eliminar o PT e seus partidos satélites (ou seja, qualquer um abertamente de esquerda), como se isso fosse de fato resolver o problema político do Brasil. Incentivar soluções mágicas parece-me um pouco de insulto à inteligência. Assim como acreditar que a PEC 241 vai resolver o rombo nos orçamentos públicos.
Vejamos um caso bem didático, mas antes: não moro em São Paulo, então não tenho como avaliar nem a gestão do Haddad nem as propostas do Dória, o que estou fazendo aqui é exemplificar. O futuro prefeito de São Paulo vendeu muito bem a imagem de que era um empresário e não um político, tal qual alguns outros prefeitos, como o reeleito de Palmas e até mesmo o governador de Mato Grosso. Entre as propostas de Doria estavam o não amento de impostos, nem das passagens de ônibus e o aumento dos limites de velocidades para veículos. Ao que tudo indica, nem assumiu o posto ainda e já está agindo como um velho político, voltando atrás em suas promessas, ainda que se manter baixos os limites de velocidade será uma boa coisa.
O grande mistério será entender se o grande número de votos nulos, brancos e abstenções se devem ao desencanto pelos políticos (que é o meu caso, em particular) ou se foi pela nova forma de fazer campanha, mais enxuta em verbas e em tempo, aliado ao fato que cada vez mais os eleitores têm outras opções à TV aberta, onde se concentra a campanha política.
Se for o primeiro caso, vamos ver como serão as próximas eleições e eu sei que no primeiro turno escolherei aqueles que se encaixam no que acredito ser melhor para a sociedade. No segundo turno, entre o ruim e o pior, insistirei na tecla de não fazer parte desse conluio.

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