tumblr_static_500

Quando a mulher te trata como um homem

Aparentemente, tinha tudo para ser mais uma das manjadas histórias de amor, como na música da Blitz, que já aconteceu comigo, com você e com todo mundo. E, de fato, fui protagonista do que vou relatar a seguir, mas que, como tudo que é passado, a gente romanceia mais do que deveria. Para preservar a identidade das pessoas envolvidas, não vou citar nomes nem datas, o máximo que vou dizer é:
Entra trilha sonora de Star Wars: Há muito tempo numa galáxia muito, muito distante…
Eu chegava sozinho em uma festa e logo de cara avistei, não muito perto, uma garota. Uau! Não tão uau assim, na verdade, mas cativou minha atenção. Esbarrei por ela umas duas vezes e já fiquei imaginando como fazer para me aproximar. Até que a vi conversando com dois colegas e fui me intrometer na conversa a fim de ver o que rolava.

Ela me olhou de cima a baixo, como que me certificando que aquele cara que já a tinha a emagrecido uns dois quilos de tanto secá-la estava ali, de pé, tomando coragem para chegar junto. Os três falavam sei lá sobre o que e riam. Eu ria junto, embora não estivesse entendendo bem o que era, quando um foi buscar uma bebida e o outro decidiu acompanhá-lo. E agora?
Ela puxou uns papos meio sem noção e eu sem entender até que ela deixou bem claro. – Eu estou tentando te conhecer melhor. Hãããã. Pupilas dilatadas, coração disparou. Acho que os joelhos tremeram também, mas posso estar exagerando. Quando parecia que íamos começar algo, os dois infelizes resolvem reaparecer com as conversas engraçadas. Pelo menos para eles.
Logo ela falou qualquer coisa e foi conversar com um casal próximo, mas eu já estava flechado pelo cúpido, se fosse um cara essencialmente romântico. Achei que tinha rolado uma química, como apreciam os bons fãs de Breaking Bad. Eu conversava com os caras, mas meus pés e minha cara estavam voltados para ela, como bem indica a linguagem corporal.
Por mais duas ou três vezes trocamos poucas frases em momentos distintos do evento social. Mas eu era atencioso, oferecia para pegar uma bebida, puxei a cadeira para ela se sentar e tudo mais do manual do cavalheirismo que era possível aplicar. Não entendi direito porque as conversas não engatavam, mesmo quando parecia que ela sempre me olhava interessada e respondendo, às vezes, as breves conversas. Creio que cheguei de ir ao banheiro cheirar minhas axilas, sentir meu bafo. Já não estava tão cheiroso como no início, mas estava longe de ser um gambá.
Até que a vi indo embora…
Apressei meus passos para alcançá-la. Quase corri na verdade, mas me contive. Ao me aproximar ela disse que estava sozinha em sua casa, que era para eu esperar uns minutos e ir para lá, mas não era para sairmos juntos. Já tinha nas mãos um bilhete com o endereço e me entregou.
Caraca, quantos minutos são uns minutos? Não sei se esperei muito ou pouco, mas duvidava que alguém que me conhecesse, ou a ela, não tinha percebido que eu estava me arrastando a noite toda por aquela pessoa…
pexels-photo-218679-medium
Como vocês já devem estar imaginando, logo eu estava na porta da casa dela. Não estava trancada. Cismei um pouco, mas entrei. Crianças, tapem os olhos agora. Ela já estava praticamente nua e o que se sucedeu nas próximas horas vocês podem imaginar como quiserem, seus malandrinhos. Não vou entrar em detalhes.
Pausa
Bom, esta história não é uma tipo “500 dias com ela”. E se você chegou até aqui com o nível de glicose alterado com tanta água-com-açúcar, prepare-se para a reviravolta.
Já amanhecia, quando ela me acordou falando qualquer coisa que eu não entendia direito. Cansado, mas com aquele sorriso de orelha a orelha demorei um pouco a perceber que ela estava, educadamente, me convidando a ir embora. Ela tinha compromissos e precisava que eu me retirasse. Tentei argumentar e jogar o que eu achava que era o meu charme, pois por mim eu ficava todo o fim de semana. Faria o que fosse preciso para passar mais tempo com ela. Como na música do R.E.M.: I could be your Frankenstein my crush with eyeliner.
Um pouco menos meiga que antes, ela disse que me achou bonitinho e interessante e só queria sexo. Uma vez. E pronto. Tchau. Não me deu telefone e me disse, já meio seca, que em dois ou três meses se me visse na rua talvez nem me reconhecesse. O que, de fato, aconteceu. Ou fingiu bem. Eu, que tinha passado de interessado, a apaixonado e depois a amando em poucas horas estava literalmente na rua e iria caminhar por quilômetros até chegar em casa.
Bom, talvez você esteja se perguntando: mas que história é essa? Se não entendeu, leia o título de novo. É sobre quando uma mulher te trata como um homem trata uma mulher, em muitos casos. Isso foi um chute bem dolorido. Não lembro se a xinguei mentalmente de todos os nomes possíveis ou se continuei a procurar novas palavras no dicionário para continuar xingando a moça.
Esse sentimento de raiva durou um ou dois dias, mas passou. Que seja! Não sou de guardar mágoa. Antes, prefiro fingir que esqueci. Mas não foi esse o caso, o que ficou foram os momentos agradáveis e serviu para aprender a não confundir as coisas. Afinal ela foi direta em suas atitudes e palavras. Eu que, um pouco mais inocente que agora, não entendi bem os sinais e comecei a sonhar alto.
É óbvio, cada pessoa tem o direito de ficar com quem quiser sem compromisso. Ainda que até hoje isso não seja tão óbvio para todo mundo. É certo que passei a achar que seria tão mais fácil se as partes interessadas deixassem claro o que querem. As pessoas não sofreriam tanto. Se ela tivesse me dito na lata o que queria, eu teria ido do mesmo jeito, sem criar tanta expectativa, imaginando passeios de mãos dadas, apresentando a família e tals.
Com a lição aprendida, fui chamado algumas vezes de babaca ou franco demais quando delimitava exatamente o queria num ou noutro encontro. Mas me sentia melhor por não estar criando uma ilusão de um envolvimento futuro que eu não estava a fim, ou que, na prática, era impossível de rolar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *