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Definitivamente, ela não faz mais parte da minha vida

Logo ela que, desde que me lembro, fez parte da minha vida, nos bons e maus momentos. Quando estava em companhia ou quando ela era a companhia. Mas lembrando aqui que há meses que eu não ligo a televisão para assistir algum programa específico e há mais de dois anos que não assisto – em casa, por conta própria – a nenhum conteúdo da TV aberta, percebi que ela não faz mais parte da minha vida.
E como isso foi bom para mim.

O meu desligamento da televisão começou meio sem querer. E começou pelas novelas. Não vou dar aqui uma de pseudo intelectual dizendo que novelas e programas da Tv em geral emburrecem o povão. Não sou desses, ainda mais quando os que criticam são viciados em séries – muitas vezes de gosto e qualidades duvidosos ou leem séries de livros que também pouco contribuem para a formação do intelecto. A crítica à TV aberta sempre me pareceu mais preconceito a pobres do que sobre provimento cultural.
Mas, peraí, não quero fugir do assunto. Eu assistia televisão como todo mundo e, volta e meia acompanhava um ou outro programa ou seguia uma ou outra novela, mas sem muito alarde. Jô Soares, CQC, A Liga, Fórmula 1, um ou outro jogo dos Santos e os jornais (quase todos) faziam parte da minha programação semanal. Mas veio a novela Cheia de Charme em 2012. E ainda tinha a Thaís Araújo. E não é que estava, junto com a família, vendo quase todos os dias a novela das 7?
Quando acabou, decidi que estava fora de novelas. Elas lá e eu aqui. Se passassem perto, eu desviava, fingia que não conhecia. Nem cumprimentava. Não por maldade. Mas era um tempo precioso com horário marcado que gastava. E, claro, a gente ia emendando um programa no outro até que estava na hora de dormir.
Depois das novelas, comecei a achar que o Jô passava muito tarde, A Liga já tinha dado, e o CQC esqueceu qual era o seu propósito. Fui deixando de ver Jornal Nacional, Fantástico, mas ainda era assíduo com o Bom Dia Brasil e o Jornal da Band. Mas aos poucos fui substituindo pela Globonews e desde o fim do impeachment nem a ela eu sou fiel mais.
Comecei a me se sentir um alienígena (e esse era o título provisório deste texto) com as pessoas falando sobre a morte de Domingos Montagner, Master Chef, The Voice e o graças a deus é sexta-feira do Chico Pinheiro no Jornal Nacional. WTF? Notícia não é quando um cachorro morde um homem, é quando um homem morde um cachorro, a gente aprende na faculdade. Se o Chico tivesse falado graças a deus é segunda-feira, aí sim, eu ia querer saber o que foi.
Aí eu, que talvez seja um estatístico frustrado porque vai gostar de fazer conta assim na caixa prego (seja lá o que isso signifique). Comecei a ver o quanto de tempo comecei a ter para fazer coisas que gosto, que preciso e para curtir um bom ócio criativo. Rapidamente:  se você vê uma novela, um jornal, um programa específico mais um futebol no domingo, um programa de auditório e um Fantástico ou um Domingo Espetacular isso significa que você gasta um dia da semana em frente à TV a cada 7 dias. Tire as horas que você dorme, que você trabalha, que estuda, que está no trânsito e… realmente, você precisa disso?
Eu, de forma lenta e gradual, fui vendo que não. Vazei.
E vou além. Porque não é só o tempo que você consome em frente à TV, mas também o tempo que você gasta, por exemplo, lendo e vendo vídeos sobre os conteúdos que você assiste. Como não sei quem é quem no Master Chef, The Voice ou qualquer outro reality nenhuma notícia referente a esses programas me interessa. Como parei de ver Fórmula 1, com todo respeito, tô pouco me lixando para o Lewis Hamilton, Felipe Massa ou quem quer que seja. Como não vejo futebol, o Santos e qualquer outro time podem para qualquer dimensão, paralela, fantasma ou F que minha vida não vai mudar por isso. Isso sem falar nos inúmeros comerciais que você deixa de assistir e ficar tentado a comprar estes ou aqueles produtos.
Não é à toa que as grandes mídias estão desesperadas. Pois o coroa aqui faz coro com os mais jovens que praticamente não assistem mais televisão nem leem jornais impressos.
E, não, isso não me faz um alienado. Muito pelo contrário. Consumo muito mais informações do que antes, mas com assuntos que realmente me interessam e menos frivolidades, já que essas eu deixo para os meus (muitos) momentos de ócio. Não fico amarrado a ver um jornal em determinado horário e ampliei – e muito – os sites que acesso, muito além dos grandes jornais, blogs e sites alternativos.
Enfim, acredito que a informação é muito mais qualificada quando sua busca é ativa ao invés de ficar passivamente esperando por ela em frente à TV.

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