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Uma eficiente comédia de erros à brasileira

Comédia de erro é um subgênero que sempre anda no limite entre o ridículo e o non-sense. Quando bem feito, é sempre um deleite para quem assiste. Para exemplificar, nada melhor que citar os especialistas nesse tipo de humor, os Irmãos Coen. Quase todas as suas obras, mesmo as mais sérias, bebem dessa fonte, mas vou ficar com as três que considero mais escrachadas Queime Depois de Ler, Arizona Nunca Mais e Fargo.
Quando surgiram as primeiras críticas sobre O Roubo da Taça, coproduzida pela Netflix, que enquadravam o filme neste formato fiquei curioso. Mas o tema “futebol”, nunca foi dos meus fortes. A curiosidade falou mais alto e… que filme eficiente. Sem dúvidas uma das grandes comédias do cinema brasileiro.

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Os melhores (e piores) filmes que vi em 2016

Foram cerca de 150 filmes vistos no ano passado, além de diversas séries das quais destaco Sherlock, Mr. Robot, Better Call Saul, American Crime History e Black Mirror. Como faço há dez anos, listo os principais filmes que vi pela primeira vez (independente do ano de lançamento), dividido em quatro categorias: melhores, piores, surpresas e decepções. Os melhores e piores são óbvios, mas as surpresas são filmes que me surpreenderam positivamente ou que são filmes independentes que valem a pena ser vistos. Do outro lado, as decepções são aquelas que acreditei no potencial do diretor, elenco ou roteiro, mas o resultado foi muito aquém do previsto.

A seleção está em ordem alfabética, mas menciono que assisti vários filmes indianos e um deles está listado aqui. O cinema brasileiro me decepcionou um pouco e, definitivamente, o excesso de filmes baseados em HQs ou games estão saturando. Como toda lista é autoritária, ficaram de fora dois filmes que gostei e entrariam em 11º e 12º das surpresas: Doutor Estranho e a versão feminina de Caça-Fantasmas.

Melhores

1. A Bruxa (Robert Eggers, Brasil/Canadá/Reino Unido/EUA, 2015)
2. A viagem do capitão Tornado (Ettore Scola, França/Itália, 1990)
3. Beasts of no nation (Cary Joji Fukunaga, EUA, 2015)
4. Caminho da liberdade (Peter Weir, EUA, 2010)
5. Homem Irracional (Woody Allen, EUA, 2015)
6. O Lagosta (Yorgos Lanthimos, Grécia/Reino Unido/Irlanda do Norte, 2015)
7. Os 8 odiados (Quentim Tarantino, EUA, 2015)
8. Spotlight – Segredos Revelados (Tom McCarthy, EUA, 2016)
9. Umrika (Prashant Nair, Índia, 2015)
10. Vício Inerente (Paul Thomas Anderson, EUA, 2015)

A viagem do capitão Tornado é uma obra-prima

Surpresas

1. As Bruxas de Zugarramurdi (Álex de la Iglesia, Espanha, 2013)
2. Bem-vindo a Marly-Gomont (Julien Rambaldi, França, 2016)
3. Homem na parede (Evgeny Ruman, Israel, 2015)
4. Magia ao luar (Woody Allen, EUA, 2014)
5. O fantástico Sr. Raposo (Wes Anderson, EUA, 2009)
6. O presente (Joel Edgerton, EUA, 2015)
7. Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/ Valerie Faris, EUA, 2006)
8. Procura-se um amigo para o fim do mundo (Lorene Scafaria, EUA, 2012)
9. Uma viagem extraordinária (Jean-Pierre Jeunet, França/Canadá, 2014)
10. Rogue One: Uma História Star Wars (Gareth Edwards, EUA, 2016)

Decepções

1. 007 contra Spectre (Sam Mendes, EUA, 2015)
2. Batman vs Superman – A origem da Justiça (Zack Snyder, EUA, 2016)
3. Capitão América – Guerra Civil (Anthony Russo / Joe Russo, EUA, 2016)
4. Deuses do Egito (Alex Proyas, Austrália/EUA, 2016)
5. Esquadrão Suicida (David Ayer, EUA, 2016)
6. O Regresso (Alejandro G. Iñárritu, EUA, 2016)
7. O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, Brasil, 2013)
8. Sicario – Terra de ninguém (Denis Villeneuve, EUA, 2015)
9. Warcraft – O primeiro encontro entre dois mundos (Duncan Jones, EUA, 2016)
10. X-Men: Apocalipse (Bryan Singer, EUA, 2016)

Piores

1. Ben-Hur (Timur Bekmambetov, EUA, 2016)
2. Caçadores de emoção – Além do limite (Ericson Core, EUA, 2015)
3. Canibais (Eli Roth, EUA, 2014)
4. Carga Explosiva – O Legado (Camille Delamarre, França/China, 2015)
5. Fúria (Paco Cabezas, EUA, 2014)
6. Independence Day – O ressurgimento (Roland Emmerich, EUA, 2016)
7. Love (Gaspar Noé, EUA/França, 2015)
8. O destino de Júpiter (Lana Wachowski / Lilly Wachowski, EUA, 2015)
9. O franco atirador (Pierre Morel, EUA, 2015)
10. Red Tails (Anthony Hemingway, EUA, 2012)
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Doutor Estranho

A Marvel continua expandindo seu universo nos cinemas de forma consistente, porém pouco ousada e isso ficou evidente em Doutor Estranho, que reuniu um dos melhores elencos desse tipo de filme, um visual impressionante, mas ficou, obviamente, voltado para agradar a família. Não que isso seja, necessariamente, um defeito, ainda que cause certa frustração no público mais adulto.
Dito isto, é um bom filme, mas aquém do que poderia ter sido e, em certa medida faz um paralelismo com Esquadrão Suicida. Enquanto a aventura da DC Comics não é tão ruim quanto muitos críticos insistiram em enfatizar, Doutor Estranho não é tão bom assim quanto uma boa parte das primeiras impressões de críticos querem fazer crer.

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Documentários

Uma seleção de bons documentários com temas diversos que vi nos últimos tempos. A maioria deles está disponível ou no Netflix ou no youtube.
(Dis)Honesty – The Truth About Lies (ou (Des)honestidade – A verdade sobre mentiras)
O impacto das mentiras em nossas vidas e na sociedade.

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Vidinha qualquer

Ufa! Acabou o Carnaval. Precisamos de uma trégua. Sabe como é: depois da maratona de fim de ano com presentes de Natal, viagem no Ano Novo, IPVA, matrícula das crianças, material escolar, essa semana de folia rapa a nossa conta bancária e os limites do cartão de crédito. Temos 40 dias para descansar, porque logo, logo a Páscoa está aí e ficamos sabendo que os preços estarão mais altos que os do ano passado. Maldito governo! Continue lendo Vidinha qualquer

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Tabus Sexuais no Cinema

Filmes que abordam tabus sexuais normalmente geram polêmica, dividindo os espectadores entre aqueles que adoraram, odiaram e aqueles que preferem nem ver, sobretudo nos últimos anos, que estas produções começam a aparecer com mais frequencia. Kinsey – Vamos Falar de Sexo, de 2004, com Liam Neeson (num dos seus últimos papéis decentes) é um destes que vale a pena ser visto, abordando várias formas de sexualidade. O controvertido e pouco conhecido Shortbus (2008) explora a temática LGBT de uma forma interessante. Continue lendo Tabus Sexuais no Cinema

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A Outra História Americana

É triste perceber que depois de quase 15 anos o enredo de A Outra História Americana continue tão atual… no Brasil, em várias partes da Europa e nos Estados Unidos. Dirigido por Tony Kaye no primeiro grande papel de Edward Norton o filme mostra a trajetória Derek, um skinhead que após matar friamente dois negros e cumprir pena por (apenas) três anos tenta impedir que seu irmão (Edward Furlong) siga o mesmo caminho.

Derek teria se tornado um neonazista após a morte do pai quando se aproximou de um perigoso racista que viu no jovem a pessoa certa para formar um grupo de skinheads no subúrbio de Los Angeles. Os argumentos não são apenas raciais mas também religiosos. Na visão dos radicais somente arianos protestantes seriam merecedores de viverem nos EUA e que negros, asiáticos e latinos estragam a cultura americana. Continue lendo A Outra História Americana

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O Clube do Filme

Estava interessado em ler este livro já tem um tempinho até que ganhei de Natal da minha esposa. Um presente e tanto pois unem várias paixões: literatura, paternidade, cinema. Além disso, o autor (canadense) David Gilmour é homônimo do vocalista do Pink Floyd. E principalmente, claro, porque foi presente do meu amor.

Como literatura, é fato que não é das mais eruditas, mas é uma narrativa corajosa, apresentando-se como um relato de um pai num momento profissional difícil e seu filho de 16 anos que não mais quer estudar. O filho querer abandonar os estudos é tão traumático para os pais como perceber que ele está viciado em alguma coisa ou engravidar (ou ter sido engravidado) em tenra idade. O resultado quase nunca é satisfatório. Continue lendo O Clube do Filme

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Querido e Devotado Dexter

Dexter é o segundo serial killer de ficção mais famoso do mundo. Depois de ter assistido as quatro primeiras temporadas da série homônima da TV e estar acompanhando com entusiasmo a quinta, nada mais natural do que ler os livros que lhe deram a origem. Comecei pelo segundo livro, Querido e Devotado Dexter, que ganhei da minha esposa.

Se Dexter não é tão famoso quanto Hannibal Lecter ele é mais pop e mais complexo. Diferente do elegante e extremamente culto Hannibal, que vira um verdadeiro monstro canibal, o assassino Dexter é mais sutil com suas vítimas e mais cuidadoso em não ser pego. Ostentando uma máscara de bom irmão, namorado, amigo e bom técnico forense, Dexter esconde sua índole assassina que conseguiu ser canalizada, graças a seu pai adotivo, para matar apenas os maus. Continue lendo Querido e Devotado Dexter